Eu nem vi o golpe chegar. Sua mão atingiu meu rosto — um golpe forte, repentino, brutal em seu impacto. Não me derrubou. Não houve sangue. Nenhuma cena dramática. A pior parte foi o silêncio que se seguiu.
Fiquei ali parada, com uma mão no balcão, ouvindo o zumbido da geladeira e o tique-taque do relógio como se tudo tivesse ficado mais alto. Ethan olhou para mim por um instante. Não se desculpou. Apenas deu de ombros.
Como se eu fosse aceitar isso também.
Como se nada tivesse realmente mudado.
Ele subiu as escadas, batendo a porta, e eu fiquei ali, com a bochecha queimando, percebendo algo mais profundo do que a dor: eu não estava mais segura na minha própria casa.
À 1h20 da manhã, peguei meu telefone e liguei para a única pessoa para quem eu não queria ligar — mas precisava.