Ontem à noite meu filho me bateu, e eu não chorei.

Era uma decisão.

Um pouco antes das seis, Michael chegou. Seus cabelos estavam mais grisalhos, seu casaco escuro, uma pasta debaixo do braço. Ele não fez perguntas desnecessárias. Olhou para o meu rosto, para as minhas mãos, e entendeu tudo.

“Ele está lá em cima?”, perguntou.

“Dormindo.”

Ele olhou para a mesa.

“Você só cozinha assim quando algo importante está prestes a mudar.”

Pela primeira vez em muito tempo, me senti compreendida.

“Termina hoje”, eu disse.

Ele colocou a pasta sobre a mesa.

“Então me diga — ele vai embora hoje?”

Fechei os olhos. Eu vi Ethan quando era pequeno, com os joelhos ralados e um sorriso radiante. Depois, vi-o ontem à noite, me batendo e indo embora como se eu não importasse.

Abri os olhos.