Minha irmã tinha acabado de ter um bebê, então fui ao hospital visitá-la. Mas, enquanto caminhava pelo corredor, ouvi a voz do meu marido: “Ela não desconfia de nada. Pelo menos ela é boa para o dinheiro.” Minha mãe então se pronunciou: “Vocês duas merecem ser felizes. Ela é só uma perdedora.” Minha irmã riu e respondeu: “Obrigada. Vou garantir que sejamos felizes.” Não disse nada e me virei. Mas o que aconteceu em seguida deixou todos perplexos.

O cobertor azul que eu segurava de repente pareceu um adereço de peça de teatro.

Não chorei.

Não saí correndo pela porta.

Dei um passo para trás.

Um passo.

Depois outro.

Meu corpo, guiado pelo instinto, moveu-se pelo corredor, passando por enfermeiras com sorrisos educados, famílias celebrando nascimentos reais.

Ao chegar ao elevador, apertei o botão com cautela, com medo de que meu dedo trêmulo me traísse.

As portas se fecharam.

Meu reflexo me encarava no metal escovado.

Eu parecia calma.