“Quem… é você?”
Você cambaleou para trás tão rápido que sua cadeira bateu na parede.
O quarto pareceu inclinar. O monitor cardíaco mudou de ritmo. Seus dedos tatearam o botão de chamada, erraram, mas o encontraram na segunda tentativa. A luz do teto ainda estava fraca, o quarto ainda cheio daquele triste silêncio amarelo da meia-noite, mas nada ali pertencia ao mundo silencioso de trinta segundos atrás. Seu rosto queimava de horror. Seus lábios ainda se lembravam do que você tinha feito, e agora o homem na cama olhava para você como se você fosse a primeira coisa que ele visse depois de se afogar.
“Alejandro, não tente se mexer”, você disse, e sua voz soou estranha aos seus próprios ouvidos. “Por favor, fique quieto. Vou chamar o médico.”
Ele engoliu em seco, como se até aquele pequeno gesto doesse. Seu olhar percorreu o quarto aos solavancos, parando no suporte do soro, nos monitores fracos, nas cortinas, na porta, e então retornando a você. “Hospital?”, ele sussurrou.
“Sim.”
Seus dedos se contraíram contra o lençol. “Quanto tempo?”